Espetáculo "Deixa-me ser Tambor" em cartaz no TUCB.



ESPETÁCULO DEIXA-ME SER TAMBOR

Deixa-me ser tambor! Deixa-me ser a mão que faz ecoar o rufar de minha ancestralidade. Deixa-me curtir o couro cru no tronco da raiz de minha terra; Permita-me ser o ritmo que liberta, a preta cor da alma que dança, o cheiro do suor que embriaga, a guia de contas e de lágrimas que me alimenta... Oh senhores! Oh senhoras! Eu quero! Eu necessito! Deixa-me Ser Tambor!

Vivemos num momento em que a liberdade ainda é o maior anseio da sociedade contemporânea. Ansiamos todos os dias pelo livre direito em expressar nossas verdades e opiniões, queremos sair e ter garantido o nosso voltar; lutamos para manter as nossas conquistas, pois sem ela divagaríamos num mar de intolerâncias e estacionaríamos num cárcere de injustiças sociais. Existe, porém um desejo ainda mais forte, latente, o desejo de ser livre para estar junto, o de mostrar ao mundo o reflexo de nosso espelho; o desejo, enfim, de fazer valer a nossa identidade, a nossa raiz cultural.

Com esse pensamento a Associação Cultural e Esportiva de Negros e Afrodescendentes da Amazônia – ACENA faz de seu mais novo espetáculo, intitulado DEIXA-ME SER TAMBOR, uma ode em busca da liberdade plena, da autoafirmação, e do empoderamento da raça negra, e da cultura de matriz africana. Com um texto e direção de Harles Oliveira, Deixa-me Ser Tambor faz uma releitura, dramático-poética, que tem como base as obras de dois escritores e poetas negros, Bruno de Menezes e José Craveirinha. De Bruno de Menezes, principal representante da escola modernista no Pará, abordar-se-á o universo afro amazônico, a cultura, e a religiosidade dos negros escravizados na Belém de outrora, presentes no livro Batuque. Da obra de José Craveirinha, natural de Moçambique, considerado como um dos mais reconhecidos poetas da língua portuguesa, e um dos maiores escritores africanos, far-se-á uma narrativa inspirada nos conflitos existenciais, vivenciados pelos negros na sociedade universal contemporânea, presente na poesia Eu Quero Ser Tambor. O presente projeto foi contemplado pelo Programa Seiva, através do Prêmio Produção e Difusão Artística – 2016, da Fundação Cultural do Estado do Pará.

Deixa-me Ser Tambor está longe de ser um lamento. Deixa-me Ser Tambor também não pretende ser simplesmente um mero divulgador de um passado vergonhoso, que o Brasil teima em jogar para debaixo do tapete, ignorando e subestimando as suas consequências. Deixa-me Ser Tambor pretende, na realidade, ser um manifesto revelador, épico documental, sobre as injustiças e desigualdades sociais sofridas por negros, e afrodescendentes amazônidas. Deixa-me Ser Tambor é também um protesto de cor... uma exaltação à contribuição do negro na formação sociocultural do povo brasileiro. Tudo feito com o livre propósito de promover uma reflexão crítica sobre o racismo institucionalizado presente nos dias atuais.

SERVIÇO

Espetáculo: “Deixa-me Ser Tambor”

Realização: ACena - Associação Cultural e Esportiva dos Negros da Amazônia

Texto e Direção: Harles Oliveira Produção: Francisco Tapajós

Local: Teatro Cláudio Barradas (Jerônimo Pimentel, esquina da D. Romualdo de Seixas)

Dias: 28 (sessões às 18h e 20h) e 29.04.17(sessão única às 20h) , e 30.04.2017 (sessão única, às 18h)

Ingressos: R$20,00 (estudante paga meia)

Comentários